novembro 2007
Monthly Archive
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Posted by Regina Volpato on 30 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem
Ô Ana Júlia!
Essa história da adolescente L., que ficou quase um mês presa numa cela com 20 homens em Abaetuba, no Pará, está me tirando o sono.
No período em que ficou detida, L. era estuprada para poder se alimentar. Segundo os jornais, da rua era possível ver a cela; e ela pedia socorro aos que passavam. Os moradores da cidade sabiam, viam e ouviam o que acontecia lá dentro.
Que selvageria é essa? Mais parece a descrição do inferno!
Trago lindas memórias do Pará, onde morei por alguns anos, na minha infância, quando meu pai foi transferido para trabalhar em Belém. Chegamos sem conhecer nada nem ninguém. E fomos abraçados pelo povo paraense. Anos maravilhosos aqueles… Aí tive a oportunidade de conhecer pessoas afetuosas ao extremo. Foi aí que conheci o que significa amizade verdadeira, preocupação e aceitação do outro. Generosidade. São inesquecíveis os passeios por lugares lindos, na companhia de amigos tão queridos.
Ana Júlia Carepa, atual governadora do Pará, a senhora conhece essa terra que eu conheci e acalento dentro do peito? A senhora consegue se colocar no lugar da garota que ficou presa? O delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Raimundo Benassuly Maués Júnior, chamou a adolescente de débil mental. Depois disso ele foi afastado do cargo. E o que dizer da delegada? E o que dizer da juíza? Sim, uma mulher determinou a prisão da menina, uma outra a manteve lá.
Onde está a demência? Quem são os dementes?
Fico tentando imaginar o impacto dessa situação de Abaetuba não só na vítima, presa, estuprada, tosquiada, humilhada no mais profundo do seu ser, mas também na vida dos moradores da cidade. Presenciar um episódio de tortura, sem nada poder fazer, é ser torturado também. E se quem pode fazer algo nada faz, como ficamos?
Que país é esse onde uma governadora afirma que “infelizmente, casos de mulheres presas em celas com homens existe mesmo”. Ô Ana Júlia… que país é esse? Se existe mesmo, por que nada foi feito antes? Quais são as desculpas?
De repente, me lembrei de uma poesia, escrita por Affonso Romano de Sant’Anna, publicada em 1980, que continua assustadoramente atual: A implosão da mentira. Ela está postada logo abaixo.
Ô Ana Júlia… Se você não a conhece, por favor, dê uma atenção especial a ela, e veja como nos sentimos hoje, 27 anos depois.
Posted by Regina Volpato on 30 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem

Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
—diária/mente.
Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.
Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.
Poema publicado em 1980.
Posted by Regina Volpato on 27 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem

“Money”:
Mais sobre Cabaret na página:
Posted by Regina Volpato on 23 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem

“Vivemos tempos de assombro, de arbitrariedades, de imoralidades em todos os segmentos sociais. Em cada qual, características peculiares e diferentes graus de sofisticação comportamental, mas que traduzem uma só realidade: perdemos a dignidade humana e sucumbimos à corrupção, ao individualismo, à hipocrisia.
São estas ferramentas e armas do cotidiano, que fazem flamejar aviões mergulhados nos gritos desesperados de 199 vítimas conhecidas. São essas mesmas ferramentas e armas do cotidiano, que fazem flamejar o índio que repousa ao relento. São essas mesmas ferramentas e armas do cotidiano, que fazem flamejar o coração dos excluídos.
O Homo demens economicus racionaliza, se justifica e segue na empreitada de investimentos contra a vida, amparado pela consciência flexibilizada que lhe garante, senão o perdão, vista grossa à falta de observância das responsabilidades, dos imprescindíveis limites e cumprimento de normas, indispensáveis à boa saúde social.
Consciência flexibilizada que em lugar das penas cabíveis respalda as transgressões e insanidade, por meio de equivalente despudor e imoralidade, atitude que serve como alento nos, talvez raros, possíveis lampejos de decência e desassossego, que a solidão tem por capricho despertar.
Hoje, a virtude confunde-se com o mal, e a retidão de caráter e a sinceridade, ameaçam. Exercita-se o pacto do biltre: cada um por si e todos pela derrocada humana e do planeta.
As cenas se multiplicam, diversificam e traduzem sempre a mesma realidade cruel. Como cruéis, perversos, foram os rapazes desocupados e inúteis, que perambulando de carro pela madrugada à procura do nada, se depararam com uma mulher.
Imagem inversa, reversa, o avesso desses covardes, até então desconhecidos, que a agrediram. Segundo um dos pais dos agressores, “crianças que fazem faculdade” e que, por isso, não deveriam sequer ficar detidas em uma delegacia. Essas “crianças”, com palavras e atitudes nada ingênuas, demonstraram ter incorporado os padrões de conduta de quem usa do dinheiro farto para garantir a impunidade.”
Departamento de Educação do Instituto de Biociências da Unesp – Botucatu
O artigo completo está na página:
Posted by Regina Volpato on 19 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem
Posted by Regina Volpato on 13 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem
“Não temos mais dúvidas de que o aquecimento global está realmente ocorrendo, provocado pelas ações do homem nos últimos 200 anos, após o advento da revolução industrial. Mais de 80% dos gases na atmosfera hoje em dia são emitidos pelos países desenvolvidos, mas os impactos dessa emissão de gases, que causa o aquecimento global, serão mais sentidos nos países mais pobres. Nosso relatório estima que haverá um aumento na temperatura de 3 a 6 graus nos próximos cem anos e que o nível do mar deverá subir cerca de 4 metros. Também propomos soluções e recomendações para que os países se adaptem a essas mudanças. Um terceiro ponto do relatório aborda a mitigação para reduzir a emissão de gases, que aumentou 70% nos últimos 30 anos, mesmo depois de firmado o Protocolo de Kyoto. Isso é inaceitável. A meu ver, o que falta, no entanto, é vontade política nos países mais ricos.”
Trecho da entrevista de Mohan Munasingue, vice-presidente do IPCC.
A entrevista completa poderá ser lida na página:
Posted by Regina Volpato on 13 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem
“Criado pela agência DM9DDB, o comercial “Money” tem como objetivo conscientizar a população quanto ao fato de que pequenas ações isoladas, tanto positivas como negativas, podem dar início a um efeito cascata de proporções planetárias. Usando técnicas de animação e a música “Money, Money (makes the world goes around)”, do musical Cabaré – estrelado na década de 70 por Liza Minelli – o filme foi criado por Rodolfo Sampaio, Julio Andery e Arício Fortes. Para produzí-lo, reuniu-se um elenco de primeira linha, todos trabalhando gratuitamente neste alerta quanto aos riscos da degradação ambiental. ”
Para assistir é só clicar: WWF-Brasil, filme produzido pela DM9
texto: http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/campanha_dm9_money/index.cfm
Posted by Regina Volpato on 10 nov 2007 | Tagged as: Corrente do Bem
Aquecimento Global
Vídeos
1) Verdade Inconveniente (Trailer)
Página:
***
2) Aquecimento Global – Nossa Realidade
Página:
…
Para Não Dizer que Não Falei das Flores(Geraldo Vandré)
Página:
http://www.revista.agulha.nom.br